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O incansável trabalho da Igreja Católica em 7 anos de guerra na Síria
19 de Março de 2018 às 06:04
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Neste dia 15 de março completa-se sete anos desde que começou a guerra civil na Síria, que deixou mais de 511 mil mortos e mais de seis milhões de deslocados.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados revelou em um relatório que atualmente existem 13,1 milhões de pessoas necessitadas na Síria, das quais 5,3 milhões são crianças. Além disso, mais de 5 milhões e meio de sírios fugiram para o exterior.

Segundo informou a Cáritas italiana em um relatório, cerca de três milhões de crianças não vão à escola devido à guerra.

O Cardeal Mario Zenari, Núncio Apostólico na Síria, expressou recentemente que, devido à guerra naquele país, vive-se “o inferno” na terra, “especialmente para crianças vulneráveis”.

Durante todo esse tempo, a Igreja tem lutado para manter viva a fé dos cristãos deste país, que são perseguidos pelos extremistas ou que foram afetados pelo conflito, e para oferecer ajuda material a todos os que sofrem.

Além disso, em diversas ocasiões o Papa Francisco fez um apelo à paz na Síria e pediu a proteção dos inocentes, especialmente das crianças.

E, durante esses anos, também conheceram o testemunho de religiosos que acompanharam a população e os missionários estrangeiros aos quais foi oferecida a oportunidade de voltar para os seus países quando começou o conflito, mas preferiram ficar.

Uma delas é a Irmã Guadalupe, do Instituto do Verbo Encarnado (IVE). Esta religiosa argentina chegou à Síria em 2011, quando a guerra começou, e no início de 2017 teve que voltar para o seu país de origem. Atualmente, visita vários lugares para dar testemunho dos sofrimentos e da coragem dos cristãos no país asiático.

Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI, disse que os cristãos são os “mártires de nossos tempos”, que “estão dispostos entregar a própria vida e a dar suas vidas e a que suas cabeças sejam cortadas para testemunhar Jesus Cristo”.

O IVE tem duas casas em Aleppo, cidade que foi libertada do controle dos terroristas em dezembro de 2016 e é uma das mais atingidas pelo conflito. Em ambas, acolhem dezenas de estudantes de diferentes lugares do país. Também receberam famílias cujas casas foram destruídas pelos bombardeios.

Em Aleppo, também os salesianos têm um oratório onde atendem cerca de 750 crianças. Um sacerdote salesiano originário da cidade, Pe. Pier Jabloyan, explicou ao Grupo ACI que o objetivo é ajudar as crianças em sua educação e “gerar um ambiente pacífico” a fim de que conheçam Cristo.

“Esta é a missão dos salesianos com as pessoas em Aleppo. Somos tantos religiosos que decidimos permanecer como os franciscanos, jesuítas, as missionárias da caridade e tantas congregações que estão empenhadas em socorrer o maior número possível de pessoas que não podem viver sem ajuda”, expressou Pe. Jabloyan.

Outro sacerdote salesiano que decidiu permanecer na Síria é o Pe. Alejandro León, originário da Venezuela. O presbítero contou ao Grupo ACI que se dedica a trabalhar com jovens, ajuda-os na formação para que possam ajudar a reconstruir o seu país.

Outra religiosa que trabalhou em favor dos cristãos é a Madre Agnes, originária do Líbano. Depois que a guerra começou, a religiosa de 66 anos salvou o patrimônio cultural dos cristãos da destruição. Retirou os ícones, manuscritos e pinturas do mosteiro de São Tiago o Mutilado, localizado a 60 quilômetros ao norte de Damasco.

Esta religiosa também foi intermediária para a libertação dos cristãos sequestrados. Em 2014, negociou por telefone com o líder do Al Qaeda na fronteira com o Líbano a libertação de nove religiosas greco- ortodoxas sequestradas.

Durante o ano de 2017, conheceu-se o trabalho das organizações humanitárias como SOS Chrétiens d’Orient e a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) que colaborou na reconstrução das igrejas destruídas durante os confrontos ou ataques terroristas.

Alguns templos são a Catedral Católica Grego Melquita de Nossa Senhora da Paz, na cidade de Homs, e a Igreja greco-ortodoxa de Santo Elias, em Maalula.

Na cidade de Aleppo, os franciscanos da Custódia da Terra Santa, que administram a Igreja Latina de São Francisco de Assis, assistiram dezenas de famílias que voltaram do exterior para a cidade e vários casais de noivos que decidiram se casar.

Pe. Ibrahim Alsabagh, pároco da igreja de São Francisco de Assis, explicou ao Grupo ACI que a crise econômica no país é tão grave que, “embora a mãe e o pai trabalhem, é impossível seguir em frente sem a ajuda da Igreja. São muitos os necessitados e nós confiamos na providência divina”.

Outro projeto dos franciscanos é a reconstrução das casas dos cristãos destruídas durante os bombardeios e ajuda para pagar as hipotecas das famílias mais pobres. Desde 2016, mais de 470 casas foram reconstruídas.

Também entre junho e julho organizaram oficinas recreativas para 860 crianças e atualmente desenvolvem uma iniciativa educacional em benefício das 150 crianças mais atingidas pela guerra.

Em março de 2017, a vice-diretora da Sala de imprensa da Santa Sé, Paloma García Ovejero, informou que o Papa Francisco enviou 100 mil euros para ajudar os pobres de Aleppo, na Síria.

No país também é desenvolvido o projeto “Hospitais abertos”, idealizado pela organização AVSI em 2016, junto com a Fundação Gemelli e o Pontifício Conselho Cor Unum. O objetivo é oferecer assistência médica às pessoas que vivem na pobreza e apoiar as atividades de quatro hospitais sem fins lucrativos no país.

Por sua parte, este ano a ACN doou novos pares de sapatos a 450 idosos pobres que vivem em Aleppo, bens que não podiam conseguir devido à inflação. A Irmã Annie Demerjian, que participou do projeto, disse que “dependem de Deus e da ajuda de emergência que lhes dão. Seus filhos foram embora da cidade ou permaneceram nela, mas são tão pobres que não podem ajudá-los”.

Além disso, Cáritas italiana destacou em um relatório que durante a guerra na Síria, as organizações eclesiásticas, as congregações e as dioceses conseguiram cerca de 5 mil voluntários para distribuir ajuda humanitária.

expressoceara

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