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Quem são os condenados pelo crime no CE?
22 de março de 2019 às 11:19
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O mundo voltou os olhos aos casos de abusos sexuais envolvendo líderes religiosos após as recentes declarações do Papa Francisco, sobre o descrédito na Igreja Católica. Crimes assim perpassam os muros das igrejas, abrangem diversas religiões e, muitas vezes, agem diretamente nos lares das famílias vítimas.

O escândalo que os Estados Unidos vivem desde o início deste ano – quando a Arquidiocese de Hartford, no estado de Connecticut, divulgou uma lista com nomes de 48 padres acusados de abuso sexual – vem sendo observado em diversas outras partes do mundo, mesmo que com menor intensidade.

No Ceará, religiosos acusados de crimes semelhantes são mantidos em cárcere, longe dos fiéis. O principal motivo para que essas pessoas tenham chegado à reclusão foi o envolvimento em casos de estupro contra vulneráveis (vítimas menores de 14 anos).

Não há estatísticas oficiais que apontem separadamente quantos homens padres ou pastores foram presos. Nos últimos anos, casos de repercussão vieram à tona e causaram indignação, principalmente, porque os criminosos se aproveitaram da relação de proximidade e confiança das vítimas para praticar os delitos.

Em dezembro de 2018, o pastor de uma igreja presbiteriana Arnol Santiago dos Santos foi condenado a 26 anos e seis meses de reclusão por estupro de vulnerável contra cinco jovens. A decisão proferida na 1ª Vara Criminal da Comarca de Sobral prevê como inviável a substituição da pena privativa de liberdade e negado benefício de apelar em liberdade, tudo isso, se devendo à gravidade dos fatos.

Arnol foi preso em janeiro de 2017, após se apresentar na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sobral, na qual já havia um mandado de prisão contra ele. Consta na denúncia do Ministério Público do Ceará que o pastor praticou diversos atos libidinosos contra as vítimas, todas elas menores de 10 anos de idade. Em Sobral, Arnol Santiago teria dado agrados a algumas crianças e convidado para visitar sua casa, quando a esposa estava ausente.

“Apurou-se então que, por diversas vezes, por volta das 18 horas, as crianças iam até a casa do denunciado, na esperança de receber dele dinheiro, bombons e ‘chilitos’. Ali chegando, elas entravam pelos fundos da casa e encontravam o acusado sozinho e já à sua espera. Este fechava a porta e iniciava a prática de diversos atos libidinosos com as pequenas vítimas. O delatado tirava sua roupa e a das crianças e oferecia pequenas quantias em dinheiro para que elas tocassem em sua genitália e se sentassem sobre seu pênis”, consta em um dos trechos da denúncia apresentada.

Na Capital

Há pouco mais de dois anos, o líder religioso Paulo Amorim, foi preso. A denúncia tratou que Amorim, chamado pelas vítimas de ‘Papi’, se aproveitava da sua posição em um grupo católico para atrair e estuprar jovens. O homem era frequentador de uma Igreja Católica, na zona nobre de Fortaleza e tinha fundado uma comunidade.

As mulheres eram molestadas, pela madrugada, após ingerirem um remédio oferecido por ele. Os crimes costumavam acontecer em um apartamento localizado no bairro Meireles, local onde eram realizados retiros espirituais. Amorim ofertava a ideia que o endereço devia ser um segundo lar das vítimas, onde elas podiam dormir com “roupas mais à vontade”.

Em dezembro de 2017, Paulo Amorim foi condenado a 10 anos de prisão, sem poder recorrer da sentença em liberdade. Ele segue recluso em uma unidade prisional do Ceará, recebendo tratamento psicológico enquanto cumpre a pena.

Outro caso de repercussão envolveu um homem que se dizia pastor de uma igreja evangélica no bairro Sapiranga, em Fortaleza. Em março do ano passado, Felipe Costa Silva foi capturado pela Polícia, suspeito de abusar sexualmente de, pelo menos, seis crianças e adolescentes. A prisão aconteceu depois de dois anos de investigação contra o homem de 52 anos.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, por incontáveis vezes, Felipe Costa praticou atos libidinosos. Em uma das vezes, o homem foi até a casa de uma das vítimas, de 12 anos de idade, afirmando que iria fazer uma oração. Ao chegar no local ele exibiu filmes pornográficos e pegou na genitália da vítima. No mês de julho de 2018, foi decidida a pena de 68 anos e seis meses de reclusão em regime, inicialmente fechado, para Felipe Costa. Ele continua preso em um presídio do Ceará.

Alerta

A delegada Yasmin Ximenes, da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), afirma que todos os dias chegam denúncias sobre estupro de vulnerável na unidade especializada da Polícia Civil. Yasmin ressalta que os casos de criminosos próximos às vítimas são a maioria.

“Não há um perfil de pedófilo. O pedófilo geralmente é acima de qualquer suspeito, em quem a família deposita toda a confiança, como guia espirituais, vizinhos ou docentes. É alguém que se coloca estrategicamente em locais que possa ter fácil acesso à criança ou ao adolescente. Tudo que envolve a questão do sexo envolve tabu. A família quando descobre abuso da criança se organiza até para silenciar a criança e resolver o problema em casa. Esse fato deve ser noticiado à Delegacia de Polícia. A palavra da criança tem muita importância”, ponderou a delegada.

Conforme Yasmin Ximenes, o fortalecimento da rede de proteção aumenta o número de denúncias. A confissão por parte dos criminosos ainda é algo difícil de acontecer, porque, como ressalta a policial, são crimes que acontecem sem testemunhas.

“Alguns ainda dizem que a criança mentiu, ou falam que é perseguição, ou que aquela criança é como um filho, até mesmo que só aconteceu porque ‘foi seduzido’. Geralmente, conseguimos chegar à autoria por meio do depoimento da vítima e também de provas materiais. O estupro é um crime hediondo e que não cabe fiança”, completou.

O pedófilo geralmente é acima de qualquer suspeita, em quem a família deposita toda a confiança, como guias espirituais, vizinhos ou docentes”
Esse fato deve ser noticiado à Delegacia de Polícia. A palavra da criança tem muita importância” – Yasmin Ximenes Delegada da Dceca
Diário do Nordeste
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