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Como é a vida do ´ciborgue´ americano Chris Dancy, o homem mais conectado do mundo
25 de abril de 2017 às 07:02

Chris Dancy parece viver mais como ciborgue do que como humano. Todos seus movimentos, temperatura corporal, pressão sanguínea, oxigênio e peso estão digitalizados.

Ele também monitora a qualidade do ar que respira, volume de sua voz, alimentos que ingere, temperatura ambiente, umidade, luz, som e tudo o que assiste na televisão, entre outras coisas.

“Sou um ciborgue consciente porque uso a tecnologia a meu favor”, contou o americano, por telefone, à BBC Mundo , serviço em espanhol da BBC .

Dancy já faz isso há uma década. “Tudo começou em 2007. Sentia-me muito infeliz. Estava perto de completar 40 anos e trabalhava criando sistemas computacionais para empresas de software”, explica. “Até que me perguntei se seria possível usar essas habilidades para melhorar minha própria saúde.” Desde então, sua vida mudou radicalmente.

Em 2009, ele começou a usar wearables (dispositivos de tecnologias para vestir). Três anos depois, converteu-se no “homem mais conectado do mundo”, descrição feita pela empresa americana de infomações financeiras Bloomberg.

´Não sou um robô´

Dancy diz se identificar com o título, que para ele traz a “responsabilidade de contar sua experiência”. Essa experiência, porém, nem sempre foi fácil. No início, ele teve que lidar com a percepção negativa das pessoas.

“Ficava incomodado que me vissem como um robô. Mas hoje isso é mais raro, porque todo mundo anda conectado com smartphones , relógios inteligentes e todo tipo de wearable “, explica.

Dancy tem 11 dispositivos em seu corpo e centenas de aparatos em sua casa em Brentwood, no Tennessee (EUA).

Sua residência é uma espécie de laboratório tecnológico, embora ele prefira que os aparatos não sejam visíveis. “A tecnologia imperceptível é melhor que a óbvia”, afirma.

Ali, cada lâmpada está conectada à internet, e a própria construção está ligada a um termostato (dispositivo de regulação de temperatura) inteligente.

Seu carro também é uma fonte de dados e registra o ritmo de seu coração, a frequência a que acelera, e, obviamente, a velocidade do veículo.

Dancy diz ter mais saúde com esse estilo de vida supermonitorado: controlar suas informações vitais permitiu que parasse de fumar, perdesse peso e iniciasse uma dieta mais saudável, afirma.

Sua vida gira em torno da tecnologia. “Antes não passava tanto tempo respondendo a perguntas sobre tecnologia. Agora, tudo o que faço tem a ver com isso e com a forma a que estou exposto a ela”, declara.

Embora seja aficionado por tecnologia, ele tem uma visão crítica sobre alguns de seus aspectos.

“A tecnologia foi desenvolvida para facilitar a vida das pessoas, mas ´útil´ não é o mesmo que ´conveniente´”, argumenta Dancy. “Os smartphones são convenientes e fáceis de usar. Mas nem sempre nos ajudam. A tecnologia deveria servir para isso.”

Privacidade e hiperconexão

Dancy afirmou à BBC Mundo que “os governos e a democracia estão sendo desafiados pela tecnologia” e que “a questão da privacidade se torna mais relevante à medida que há mais dispositivos medindo nosso comportamento”.

“O problema é que nem sempre isso é levado em conta. Há muitas leis que estão prejudicando as pessoas. A corrupção é horrível em alguns lugares. É preciso proteger os cidadãos”, diz Dancy, que afirma gostar da ideia de ter um cargo político.

Dancy se ocupa com vários projetos, como encontros e workshops de “ciborgues conscientes”, que incluem temas que vão de “meditação no mundo hiperconectado” ao desenvolvimento de um aplicativo para otimizar o tempo chamado Compass.

Além disso, está escrevendo o livro I am you tomorrow (Eu sou você amanhã, em tradução livre), que espera publicar em breve e que explica seu projeto de “felicidade digital” com base em sua experiência.

Ele também não tem dúvidas do que esperar do futuro. “É óbvio. O Facebook acaba de anunciar que está desenvolvendo uma tecnologia para ler nossos pensamentos. A inteligência artificial é o futuro.”

“Nos próximos três anos, veremos o auge dos assistentes pessoais virtuais. Nos próximos cinco anos, as primeiras interfaces cérebro-computador e sensores digestíveis, imperceptíveis como as lentes de contato”, acrescenta.

Questionado sobre sua visão do futuro, se mais otimista ou pessimista, Dancy afirma ser “ligeiramente mais otimista”.

“Não estaria sendo realista se dissesse que sou totalmente otimista. Não acredito que ninguém esteja realmente preparado para o que está vindo em nossa direção.”

Terra

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