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Cineasta desponta no cenário audiovisual da Região do Cariri
1 de maio de 2017 às 08:30

A Região do Cariri é conhecida por projetar bons nomes do audiovisual no  estado. Rosemberg Cariry, cineasta e documentarista, Ythallo Rodrigues e Daniel Batata documentaristas, são algumas dessas referências. No entanto, a produção Caririense ganhou um novo nome no gênero suspense e terror, com apenas 21 anos, Cheyenne Alencar, desponta no cenário audiovisual da região ao produzir filmes destas categorias. A jovem diretora, garante que sua marca é o “terror”, “Se não tiver uma pitada de terror, não é Cheyenne”, afirma.

A vocação para a escrita era percebida desde sua infância e, contou com o incentivo de tia “fia”, conforme conta a cineasta, “minha tia dizia que todo mundo tem uma missão na terra e a minha era de distribuir o amor pelo mundo, e a forma mais sublime que encontrei foi através do teatro/cinema, onde atualmente transformamos sonhos em uma “ficção real”, comenta.

As histórias nascem dos sonhos, e após sonhar, vem a criação. Foi assim que surgiu o seu primeiro curta, Alone, em 2016. Alone: o início, é a continuação do curta-metragem Alone. Passam-se anos e Lise continua presa no lugar sombrio, ela mais do que nunca está tentando encontrar uma saída, todos estão à procura de um relógio misterioso que é protegido por uma figura típica do cotidiano, um palhaço. Gi, cujo nome é envolvido em um ritual demoníaco. Alone é uma verdadeira metamorfose de ilusões, onde fica difícil saber a diferença do real e o surreal.

A diretora já havia adaptado suas produções audiovisuais para o teatro. Ela fundou em 2009, a Companhia de Teatro Fulô de Catingueira, tendo exibido mais de vinte peças autorias. Dificuldades de Produção são muitas, mas a falta de apoio financeiro não desestimula a diretora.

A jovem cineasta afirma que a união e o companheirismo são alguns valores que consegue extrair do terror, “Quando você consegue unir pessoas com talentos que querem mostrar o que gostam e o que sabem, isso é muito bom. O terror agarra oportunidades invisíveis, e eu sou apenas uma das pessoas que conseguem enxergar isso”, comentou.

Natural de Juazeiro do Norte, Cheyenne viveu toda a infância e pré-adolescência em Potengi, cidade onde iniciou suas produções e desenvolve até hoje, trabalho social, que oferece teatro para crianças e adolescentes daquele município. A diretora define que a atividade realizada em Potengi, tem retirado crianças e adolescentes da ociosidade.

Para suas produções, além do apoio da Cia de Teatro Fulô de Catingueira, principal elenco de seus filmes, o cinegrafista e editor, Francisco Eudes, faz todo trabalho de filmagem gratuitamente, não diferentemente de Dandy Rodrigues que produz a MakeUP. “Eu crio, mas é graças a eles que a magia acontece”, conta.

Cheyenne conta com o apoio de familiares e amigos para suas produções (Foto: Adriano Mix)

A diretora que atualmente reside em Crato, divide seu tempo entre a faculdade, onde cursa direito, e a produção dos seus filmes, que tem tido boa aceitação por onde passa. O filme foi apresentado em Potengi, e foi exibido no HQPb, maior evento dedicado às HQ´s e Cultura Pop da Paraíba.

“ESTOCOLMO”

A sua mais nova produção é um suspense e terror escrito no início do ano, com gravações previstas para o mês de julho, em Potengi, onde reside todo elenco do filme. O suspense conta a história de Clara. Uma mulher viciada em jogo, e perdidamente apaixonada por Romulo, um homem misterioso. Depois de ir embora devendo 10 milhões de reais ela volta pedindo para que ele a ajude a conseguir o dinheiro, é quando os dois resolvem sequestrar uma mulher, mas ninguém imaginava que o preço seria tão alto.

Cheyenne também é roteirista do longa “Adeus”, do diretor e roteirista Miguelangêlo Ferreira, de Porto Alegre. “Fizemos contato logo após a divulgação do meu filme[Alone], ele pediu uma opinião sobre o roteiro dele, eu comentei algumas coisas, ele adorou minhas ideias e me convidou para ser roteirista junto com ele”, lembra.

O crítico de cinema e coordenador do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, Elvis Pinheiro destaca o espirito de realizadora de Cheyenne Alencar, “Ela tem o espírito de realizadora, porque ela não produz apenas cinema, ela produz teatro e corre atrás de dar visibilidade aos projetos dela”, observa. O crítico lembra que o crescimento do trabalhado de mulheres no cinema tem sido muito importante nos últimos anos, assim como nas outras artes, na literatura, música, na política, entre outros.

Elvis Pinheiro analisa que o que mais chama atenção na produção cinematográfica da região, é o fato das pessoas conseguirem produzir. Conseguir juntar apoio, elenco, patrocinadores, tudo de uma só vez, e  ainda divulgar a produção, importante para movimentar a produção audiovisual e realizar sonhos.

Por Ronuery Rodrigues
Com Parceria Site Miséria.com.br

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