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Caminhões parados: Indispensáveis para economia do país, caminhoneiros falam em abandonar profissão
13 de março de 2017 às 12:33

A equipe da TV Miséria encontrou com Manoel e Renato, pai e filhos caminhoneiros, na estrada que passa pela cidade de Cachoeira dos Índios, na divisa entre os estados do Ceará e Paraíba. Era o fim da tarde de sexta-feira quando preparavam o jantar em uma cozinha improvisada na lateral do caminhão. Cozinhar à beira da estrada, segundo eles, não é uma opção, é necessidade. Os dois estão acostumados a cruzar o país e passar bastante tempo fora de casa, em Cuiabá.

Assista ao vídeo da entrevista:

Pode não parecer, mas todos os dias, a sua rotina só acontece por conta dos caminhoneiros. Esses trabalhadores que cortam o Brasil puxando toneladas de mercadorias, são um fator crucial para que a economia do país não entre em colapso.
O sal pra cozinhar o almoço, o açúcar do café, a massa da tapioca e até as frutas do café da manhã; possivelmente, nada disso estaria disponível na casa dos brasileiro se não fosse o trabalho tão difícil e insalubre dos caminhoneiros.

Basta atentar aos números: 58% da mercadoria que circula em território nacional é de responsabilidade do transporte de cargas.  O Brasil tem 1,7 milhão de estradas, sendo 14,8% de rodovias estaduais, 78,11% municipais e 7% federais

Mas será que esses profissionais, sabendo de sua inquestionável importância, estão satisfeitos com a profissão?

Isso porque o dinheiro do frete já não compensa mais a vigem, lamenta Manoel. A saída, portanto, é economizar cada centavo durante o trajeto e evitar gastar até mesmo com comida. Ser caminhoneiro há muito foi considerada uma profissão lúdica. Séries de televisão como Carga Pesada, exibida pela Rede Globo, mostrava as aventuras de dois amigos de estrada na boleia do caminhão.

A realidade, entretanto, se mostra diferente quando olha-se de perto. Passar um mês fora de casa é normal para Manoel e Renato. As famílias precisam se acostumar com ausência do pai. Essa é uma rotina diária de quem trabalha com frete e se arrisca nas rodovias do país.

Percebe-se o risco: apenas 9.522 quilômetros das rodovias no Brasil são duplicados. Em contrapartida, trechos de rodovias simples somam 192.529, aumentando o risco de acidentes.

O resultado disso, infelizmente, é a desistência. Manoel vai encostar o caminhão, diz que não consegue mais manter-se na profissão ganhando tão pouco. Em um país de dimensões continentais onde a economia pega carona no caminhão, não olhar para a classe é um ato de irresponsabilidade e pouca inteligência.

A crise está no auge e também atinge a estrada. O que pode-se esperar é que o tempo traga bons ventos e que o país encontre o caminho do progresso novamente. Se não acontecer, não haverá trecho seguro nas estradas que levam a economia para frente.

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Com Parceria Site Miséria.com.br

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