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Mundial Brasil cai em ranking de competitividade e fica atrás do Chile e Uruguai
17 de outubro de 2018 às 05:01
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O próximo presidente da República assume um país pouco competitivo e avaliado como tendo a pior carga de regulações do setor público em todo o mundo. Esse cenário resultou, uma vez mais, na queda do Brasil no ranking internacional de competitividade, afetada ainda pela falta de abertura da economia, pelo mercado laboral pouco flexível, pela criminalidade e pela qualidade ruim da educação.

A classificação foi divulgada pelo Fórum Econômico Mundial, que, neste ano, apresentou o Brasil na 72ª posição. No ano passado, a economia brasileira era a 69ª mais competitiva do mundo.

Na avaliação do órgão, países como Armênia (70º), Bulgária (51°) ou Romênia (52ª) têm hoje economias mais competitivas que a brasileira. O país também é o menos competitivo entre os membros dos Brics e, mesmo na América Latina, o Brasil aparece apenas na 8ª posição — Chile está na 33ª colocação. Também estão à frente do Brasil o México (46º), Uruguai (53º), Costa Rica (55º), Colômbia (60º), Peru (63ª) e Panamá (64º).

Para chegar a essa constatação, a entidade avalia dezenas de indicadores, divididos em doze pilares. Um dos mais problemáticos para o país é a avaliação de suas instituições. Entre 140 países avaliados, o Brasil ocupa a última posição no que se refere à carga de regulação do setor público. A pontuação é afetada pela percepção elevada de corrupção (80º colocado) e baixo desempenho do setor público. Entre todos os países avaliados, o Brasil ocupa a modesta 93ª posição no ranking das instituições.

O governo brasileiro é ainda visto como um dos menos preparados para o futuro, aparecendo apenas na 129ª colocação nesse critério. O último lugar é da Venezuela.

Outro problema é a segurança. No ranking que mede o crime organizado, o Brasil aparece na 124ª posição e, em taxas de homicídio, em 133ª. A confiança nos serviços policiais também é um dos piores, colocando o Brasil na 111ª posição.

A estabilidade macroeconômica é uma das mais frágeis do mundo, com o Brasil aparecendo apenas na 122ª colocação. O país tem uma das nove piores dinâmicas da dívida e ocupa a posição de número 110 no que se refere à inflação.

O mercado laboral também é considerado como um peso para a competitividade nacional. Dos 140 países avaliados, o Brasil aparece apenas na colocação 114ª, 15 colocações abaixo do ranking de 2017. “O desempenho do mercado laboral continua sendo um dos maiores desafios do Brasil e esse desempenho vem caindo ao longo dos anos”, alertou o Fórum. Para Davos, as reformas aprovadas no ano passado ainda não produziram os efeitos desejados.

O Brasil, por exemplo, está na 138ª posição no que se refere às dificuldades para contratar e demitir funcionários e na 137ª posição no que se refere aos impostos trabalhistas.

Uma educação frágil também não colabora. Pelo ranking, o Brasil aparece entre os últimos colocados nas habilidades digitais (125º colocado), na facilidade em encontrar mão-de-obra qualificada (127º), na qualidade de universitários (124º) e na do ensino (125º).

Fechado

No pilar que avalia o mercado doméstico nacional, o Brasil também tem um fraco desempenho, aparecendo apenas na 117ª posição. Segundo o Fórum, dois fatores estão pesando nesse ponto: a presença de políticas fiscais que distorcem a concorrência, com subsídios e taxas, e a percepção de que a atividade industrial está hoje dominada por um punhado de grupos econômicos.

Para completar, o país continua sendo um dos mais fechados do mundo em termos comerciais. Em termos de tarifa de importação, apenas 15 economias são consideradas como menos competitivas que a brasileira. No critério que mede barreiras técnicas, o Brasil também aparece entre os quatro piores. Essas características, portanto, colocam a economia nacional com uma “pobre integração aos mercados globais”.

Na avaliação de Davos, a maior competitividade não significa direitos abandonados. “Trabalhadores das dez economias mais competitivas trabalham em media cinco horas a menos por semana do que trabalhadores do Brics — Brasil, Índia e Rússia”, comparou.

Positivo

Entre os pontos positivos estão a capacidade de inovação (40º colocado). Mas o Fórum insiste que a economia nacional continua abaixo de seu potencial nesse aspecto. “A integração pobre de políticas e a falta de coordenação entre os setores público e privado estão entre os fatores institucionais inibindo esse desempenho”, indicou a entidade. A inovação ainda não foi traduzida no dinamismo do setor empresarial, e Davos sugere que o Brasil adote políticas para integrar esse avanço nas políticas industriais.

De acordo com uma das principais responsáveis pelo ranking, Saadia Zahidi, a liderança em termos de competitividade internacional é da economia dos EUA, seguida por Singapura e Alemanha. Os Estados Unidos lideram o pilar do dinamismo de negócios, graças a sua vibrante cultura empreendedora, do mercado de trabalho e o do sistema financeiro. O sistema institucional do país também permanece relativamente saudável.

Para Davos, “em um tempo de agravamento das tensões nas relações comerciais e de uma reação contra a globalização, o relatório também revela a importância da abertura para a competitividade”. “As economias que estão desempenhando bem nos indicadores que denotam a abertura, tais como, barreiras alfandegárias com tarifas reduzidas ou barreiras alfandegárias não-tarifárias, facilidade de contratar mão-de-obra estrangeira e colaboração em aplicação patente, entre outros, também tendem a se desempenhar bem em termos de inovação e eficiência do mercado”, apontou.

Na avaliação do Fórum, “a saúde econômica global poderia ser positivamente impactada por um retorno à maior abertura e à integração”. Mas a entidade admite que apenas a liberalização não funciona.

“É fundamental que as políticas sejam implantadas para melhorar as condições daqueles afetados negativamente pela globalização dentro dos países”, disse. Davos, assim, defende “políticas de redistribuição, redes de segurança, investimentos em capital humano, assim como taxações mais graduais que visam a enfocar a desigualdade não precisam comprometer um nível de competitividade na economia”.

Para Saadia Zahidi, membro do Conselho de Administração do Fórum e chefe do Centro da Nova Economia e Sociedade, o protecionismo não é a resposta à insatisfação diante da globalização. “Há quem perca com a abertura. A resposta não é se fechar, mas dar proteção à população, com redistribuição e educação”, completou.

Fonte: Veja

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