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Após análise: Laudo de universidade constata que espuma do rio Tietê em Salto é tóxica
14 de junho de 2017 às 06:49

A espuma que frequentemente encobre o trecho do Rio Tietê, em Salto (SP), contém substâncias tóxicas, segundo uma análise da água enviada para o Laboratório de Microbiologia da Universidade de São Caetano do Sul (SP).

De acordo com o coordenadora do Laboratório de Análises Ambientais da universidade, Marta Marcondes, cinco grupos de bactérias e uma alta concentração de metais pesados, como manganês e cobre, foram encontrados na água encoberta pela a espuma.

Desta forma, o contato humano com o fenômeno pode causar doenças gastro-intestinais e de pele.

“Dizer que essa espuma não é tóxica ou prejudicial à saúde é, no minímo, bastante complicado isso. Não é possível falar isso”, garante a coordenadora.

Amostras da água e da espuma foram coletadas na semana passada por representantes da ONG SOS Mata Atlântica depois que o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, garantiu em entrevista ao vivo ao Bom Dia São Paulo, no dia 8 de junho, que a espuma não é considerada tóxica.

“É uma espuma horrorosa, mas não é tóxica. Ela vem de um agente ativo que existe em detergentes, em sabão em pó. A dona de casa conhece isso, quando ela coloca sabão em pó numa máquina e se agita, forma-se espuma. É como a que você no tanque de casa”, garantiu anteriormente o presidente da Sabesp.

Em nota enviada na manhã desta terça-feira (13), a Sabesp reafirma a fala do presidente e ressalta que a espuma não é tóxica no sentido de que o fenômeno é predominantemente resultante da agitação de tensoativos, que são agentes utilizados na composição de detergentes e sabão em pó. “É claro que se a espuma for gerada numa água poluída, ela também é poluída”, finaliza.

Falsa ideia

Após a entrevista de Kelman, o G1 conversou com a coordenadora de águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, que alertou sobre a falsa ideia que a declaração do presidente da Sabesp causou ao considerar que a espuma do rio Tietê é a mesma causada por produtos de limpeza.

Antes do resultado da análise laboratorial, a especialista já havia garantido que a espuma era nociva à saúde humana e até de animais, podendo ser causadora de diversas doenças.

“É tão nociva a espuma que as ruas que foram invadidas por ela precisam passar por um processo de higienização depois que somem. Porque mesmo depois podem causar doenças, ainda para animais domésticos que podem passar pelo local. Então, a recomendaçao é evitar ao máximo o contato com essa espuma”, finaliza.

A formação de espumas, como ocorre frequentemente no rio Tietê ao longo das cidades de Santana de Parnaíba, Salto e Pirapora do Bom Jesus, está relacionada principalmente a baixa vazão da água, a presença de esgotos domésticos não tratados que dificultam a decomposição de detergentes domésticos.

G1

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