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Funcionários de clínica e escola são feitos reféns em tentativa de fuga no Complexo do Curado
27 de junho de 2017 às 06:54

Funcionários da enfermaria e da escola do Presídio Frei Damião de Bozzano (PFDB), unidade do Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, foram feitos reféns na tentativa de fuga registrada nesta segunda-feira (26). Houve troca de tiros e um preso morreu. Outros quatro detentos e dois agentes penitenciários ficaram feridos na confusão, que já foi controlada.

Um dos presos teria fingido passar mal para ser socorrido na enfermaria da unidade. Chegando lá, ele rendeu o agente responsável pelo local e a equipe de saúde. “Eles entraram na enfermaria e fizeram reféns desde as 7h. Quem estava na parte externa, não sabia”, conta o gestor da escola, Ivan Pedro.

Auxiliar do gestor, Helena Mucio chegou à unidade de saúde do presídio por volta das 9h. “Eu fui até a enfermaria pedir para a médica assinar uns documentos. Cheguei lá, achei estranho, mas entrei. Eles disseram que estavam em reunião. Na porta, ele já veio me empurrando, dizendo para ficar calma que a gente ia ser refém. Eles mandaram a gente andar. Disseram que a gente tinha que servir de escudo”, recorda.

Ao menos três presos estavam na enfermaria, todos armados, segundo as testemunhas. Com os reféns à frente, os detentos seguiram em direção à saída do presídio. “Eles vieram para a gaiola, que é a entrada do presídio. Nesse momento, o [agente] refém conseguiu se livrar e, no que se livrou, foi iniciado o tiroteio. No que se iniciou, foi impedida à fuga”, conta o secretário de Justiça, Pedro Eurico.

Após o fato, a auxiliar relatou que tem um desejo: encontrar o agente penitenciário que foi feito refém com ela. “Só quero falar com o agente que me defendeu. Eu estava com o bandido e o agente. Fomos para a gaiola da frente. O agente me ‘botou’ atrás dele e me jogou para dentro da gaiola. Eu queria ir para perto dele”, explica.

O Presídio Frei Damião de Bozzano tem capacidade para 454 presos. Abriga, atualmente, 1.672 homens. Segundo a Seres, participaram da confusão detentos dos Pavilhões E e F.

Os agentes feridos foram encaminhados para o Hospital Otávio de Freitas e, segundo a Seres, o estado de saúde foi considerado estável.

Varredura

Segundo o secretário de Justiça, a situação no presídio está controlada. O Batalhão de Choque foi acionada para auxiliar na varredura. “Um preso faleceu, que já tinha adentrado para fugir armado. Mais presos estão feridos e estão sendo transferidos para o hospital. Os pavilhões estão contidos e os presos estão nas celas. Já temos as imagens dos que tentaram fugir”, apontou.

O Complexo do Curado tem três unidades e um histórico de problemas. Até o dia 16 de junho, segundo a a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), já tinham sido registradas cinco mortes de detentos, dentro de unidades prisionais do Estado. O último caso havia sido o de um reeducando morto a pedradas no Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb).

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