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Furacão Matthew devasta Haiti e deixa mortos
5 de outubro de 2016 às 06:52

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O furacão Matthew, que atingiu o Haiti com uma força devastadora nesta terça-feira (4), deixou três mortos e milhares de evacuados, destruiu dezenas de casas e ameaça quatro milhões de crianças neste pobre país, enquanto avança para Cuba.

O número de mortos chegou a três, quando um homem que estava sozinho, e que não pôde abandonar seu lar, morreu ao sua casa ser destruída pelas ondas em Port-Salut, uma comunidade no sul do Haiti.

Uma mulher doente morreu na noite de segunda-feira, também em Port-Salut, ao não conseguir sair de casa para receber ajuda médica. E na sexta-feira, um homem faleceu quando naufragou a embarcação na qual ia com outros dois pescadores, que conseguiram chegar até à costa, no litoral sul.

No total, 9.280 pessoas foram levadas para abrigar-se para escolas, igrejas e outros centros comunitários, disse Guillaume Albert Moléon, porta-voz do Ministério do Interior haitiano.

Por precaução, o governo de Cuba deslocou 316 mil pessoas na parte leste da ilha, consideradas em áreas de risco, e as abrigou em moradias particulares e abrigos. O governo desta ilha de 11,2 milhões de habitantes acionou o “alarme ciclônico” em seis províncias do leste.

O furacão poderia alcançar inclusive o sudeste dos Estados Unidos, onde os governos da Flórida e da Carolina do Norte decretaram estado de emergência.

Ventos de 230 km/h

O “extremamente perigoso” furacão atingiu a cidade de Anglais por volta das 7h locais (8h de Brasília) com ventos máximos de 230 km/h, o que o coloca na categoria 4, de um total de 5 na escala Saffir-Simpson, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês), com sede em Miami.

Às 12h de Brasília, o olho do furacão se situava na costa oeste do Haiti e a 145 km do extremo leste de Cuba, onde acredita-se que irá avançar nesta terça-feira, assim como para Bahamas e outras ilhas, segundo o último boletim do NHC, que indicou que Matthew avançava a 17 km/h.

Antes de tocar a terra no Haiti – o país mais pobre das Américas, que divide a ilha La Española com a República Dominicana – Matthew já havia causado inundações em 11 comunidades, segundo Edgar Celestin, porta-voz da agência de Defesa Civil, à AFP.

Os prognósticos indicam que Matthew provocará entre 38 e 63 cm de chuvas no sul do Haiti e, inclusive, mais de 100 cm em zonas pontuais.

Morte e destruição

A força do vento não havia reduzido nas últimas horas, e seus efeitos eram notados em um raio de 95 km do olho do furacão, segundo o NHC.

“É a pior tempestade que o Haiti sofre em décadas, e todos os danos serão, sem dúvida, significativos”, indicou Marc Vincent, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Haiti. “Mais de quatro milhões de crianças poderiam estar expostos aos estragos do furacão”, advertiu a organização em um comunicado.

Em Anglais, as águas inundaram a rota nacional e Matthew causou estragos nos precários edifícios. Em Les Cayes, a terceira cidade do Haiti, a água do mar inundava as ruas. “Estamos tendo deslizamentos entre Les Cayes e Tiburon”, no Departamento Sul, disse Marie-Alta Jean-Baptiste, diretora da Defesa Civil, à AFP.

Muitas pessoas se negaram a ser evacuadas e a deixar seus pertences nas áreas mais vulneráveis.

Entre essas áreas destacam-se os bairros extremamente pobres e densamente povoados como Cite Soleil – onde 100 mil de seus 500 mil residentes enfrentam sérios riscos de inundação – e Cite L´Eternel, no litoral.

O Haiti conta com mais de 10 milhões de habitantes. Milhares de pessoas ainda vivem em barracas de campanha desde o devastador terremoto de 2010.

Além disso, a erosão é muito perigosa devido às montanhas e o desmatamento.

Efeito na República Dominicana

Na República Dominicana, o Centro de Operações de Emergências (COE) relatou 8.546 pessoas evacuadas em Santo Domingo e em províncias fronteiriças com o Haiti.

Em Santo Domingo foram registradas fortes chuvas, com inundações nas cidades, e as autoridades suspenderam as aulas até quarta-feira em 24 das 32 províncias do país, como medida preventiva.

Na Jamaica, o exército e reservas militares assistiam as instruções de emergência, e ônibus eram enviados para evacuar as pessoas das zonas mais vulneráveis.

Fonte: AFP

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