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Ibama confirma investigação em mais carros da Volkswagen no Brasil por suspeita de fraude de poluentes
29 de março de 2017 às 10:31

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) confirmou nesta terça-feira (28) que vai investigar unidades mais novas da Volkswagem Amarok no Brasil por suspeita de também fazerem parte da fraude de motores a diesel, que ficou conhecido como “dieselgate”.

“Um plano de trabalho está sendo elaborado pela equipe técnica do Ibama para dar continuidade à investigação e apurar se também houve fraude na fase L6 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que está em vigor”, disse a entidade.

Testes realizados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a pedido do Ibama, sugerem que a prática ilegal de “maquiar” a emissão de poluentes durante os testes de laboratório pode estar também em modelos mais novos da Amarok, não somente nas 17 mil unidades dos anos 2011 e 2012 confirmadas até agora pela fabricante.

Nos testes que serviram de base ao Ibama para manter a multa de R$ 50 milhões à Volkswagen, além de 5 modelos 2011 e 2012, a Cetesb avaliou 2 unidades da picape vendidas a partir de 2013, para ter um efeito de comparação, além de 4 picapes médias de outras marcas.

A surpresa foi que estes modelos mais novos da Amarok apresentaram diferença maior do que os modelos 2011 e 2012 entre os resultados de laboratório e os números obtidos em rodagem regular. No entanto, a Cetesb afirma que o estudo não é conclusivo por causa da pequena amostragem.

“Baseado nos resultados obtidos há indícios que os veículos Amarok, que devem atender a fase L6 do Proconve, podem estar equipados com algum item de ação indesejável, mas será necessário desenvolver estudos complementares para se estabelecer uma certeza”, diz a Cetesb no relatório obtido pelo G1.

Os modelos mais novos estão sujeitos a regras mais duras de emissões de poluentes, da fase L6 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), enquanto os modelos 2011 e 2012 devem atender aos parâmetros da fase L4.

A Volkswagen foi questionada sobre a nova investigação, mas ainda não se pronunciou. Na sexta-feira passada, quando o Ibama anunciou que manteria a multa de R$ 50 milhões dos modelos mais antigos, a montadora disse que “foi notificada na quinta-feira (23), está analisando a decisão e se manifestará oportunamente”.

O que é o “dieselgate”?

Em setembro de 2015, a Volkswagen assumiu que 11 milhões de carros em todo o mundo, movidos a diesel, tinham um dispositivo que reconhecia quando esses veículos passavam por uma inspeção ambiental.

O programa, então, agia para que esses carros emitissem menos poluentes apenas nessas condições. Nas ruas, eles poluíam mais do que o aceitável, dependendo das regras de cada país.

A descoberta foi feita nos Estados Unidos e, semanas depois, a Volkswagen do Brasil informou que 17.057 unidades da picape Amarok, modelo 2011 e 2012, vendidas no país, eram equipadas com esse software.

Em julho passado, a Volkswagen divulgou que o dispositivo não estava acionado no Brasil. Na época, o Ibama afirmou que os testes ainda não tinham sido concluídos.

“Após uma verificação inicial sobre o atendimento dos níveis de emissão por parte da picape Amarok, acaba de completar uma nova bateria de testes internos ainda mais abrangente, que reafirmou que o produto atende plenamente aos limites de emissões estabelecidos por lei, sem prejuízo ao meio ambiente”, disse a montadora, em nota, na época.

Testes da Cetesb

Agora, 8 meses depois, o Ibama divulgou que exames encomendados à Companhia Ambiental Do Estado de São Paulo (Cetesb) apontaram que “os veículos Amarok testados continham dispositivo que reduzia, em média, 0,26 g/km a emissão de poluentes durante ensaios de laboratório”.

O limite estipulado pela legislação na fase L4 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), vigente até 2011, era de 1,0 g/km de óxidos de nitrogênio (NOx) para veículos como a Amarok.

O NOx é um dos principais poluentes resultantes da combustão do óleo diesel. É um dos causadores da nuvem de poluição nas cidades (“smog”, em inglês, um termo que mistura “smoke”, fumaça, e “fog”, neblina) e é associado a doenças no pulmão.

Na medições, 5 unidades da Amarok (2011/2012) foram avaliadas.

Fonte: G1

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