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Lâmina d´água no Açude Cedro gera ânimo no Interior
8 de março de 2017 às 12:03

A chuva do último domingo, a maior deste ano nesta cidade do Sertão Central, se transformou em alegria para a população e inspiração para os mais otimistas. Não demorou muito a surgirem fotos nas redes socais de uma paisagem deslumbrante do principal cartão postal da região, o Açude Cedro com sua galinha choca. Das proximidades do sangradouro do reservatório um click foi o suficiente para encher o açude o e os olhos de encantamento. Para muitos foi a primeira gota de esperança.

Mas a história não é bem assim. Apesar de ser um dos menores açudes do Estado administrados pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), gerenciado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o Cedro ainda está distante de registrar um aporte significativo. A lâmina d´água, cortada por várias ilhotas não chega a uma profundidade superior a meio metro. Não dá sequer para realizar a travessia numa pequena canoa.

Dependendo do ângulo dos registros fotográficos, dá a impressão do retorno aos seus tempos de glamour, quando atraia turistas, fotógrafos e cineastas a contemplá-lo e também o seu conjunto arquitetônico e geográfico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além de ter sido local de repouso para o imperador dom Pedro II, até um hidroavião já pousou nas suas águas, em 1930, 24 anos após a inauguração.

Concluído em 1906 o Cedro levou 18 anos para sangrar pela primeira vez, em 1924. Sangrou novamente em 1925 e pela última vez em 1974 e 1975. Nos anos de 1930, 1932, 1950 e em 1999 secou totalmente. Em dezembro do ano passado ficou totalmente vazio pela quinta vez, conforme informações de historiadores.

Nos registros da Cogerh, o Cedro, primeiro açude público construído no Brasil, ainda está com cota zero. Para a água chegar até o alçapão, onde a régua marca o nível da água, serão necessárias pelo menos dez chuvas como a do último domingo, comentam os moradores do seu entorno. O pluviômetro instalado ao lado do açude marcou 72,6mm. Na cidade, a pouco mais de 5Km, outro ponto oficial da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou 79mm.

Hoje, o Açude Cedro é apenas uma atração turística e quando tem água é fonte de recursos para dezenas de famílias ribeirinhas, a maioria vivendo da pesca. Desde quando a Cogerh começou a gerenciar os recursos dos açudes cearenses o Cedro atingiu a sua maior cota em 28 de abril de 2004, mesmo assim menos de 40% da sua capacidade, de 125,6 milhões de m³.

Atualmente, o abastecimento da cidade, com mais de 60 mil habitantes na área urbana, é feito pelo Açude Pedras Brancas, no distrito de Tapuiará. Com 6,34% da sua capacidade, o equivalente a 28,9 milhões de m³, está abastecendo também Quixeramobim, onde os seus dois principais açudes, o Fogareiro e a Barragem, continuam secos.

Aporte hídrico

Segundo a Cogerh, dois açudes continuam sangrando, o Caldeirões, na bacia do Alto Jaguaribe, e o Maranguapinho, na Metropolitana. Houve um aporte de 17,3 milhões de m³. Em termos porcentuais passou de 6,68% no início do ano para 7,12%, representando 1,33 bilhões de m³. No dia anterior esses números representavam 7,4%. Atualmente, o maior volume de água está concentrado na bacia do Coreaú, com 33,70%, seguida do Litoral, com 32,53%, a da Serra da Ibiapaba, com 12,63%, as Metropolitanas com 11,98%, Salgado com 11,15%, Acaraú 10,68% e Alto Jaguaribe com 10,41%.

A situação ainda é crítica na bacia do Médio Jaguaribe com 4,84%, do Curu com 2,42% e Baixo Jaguaribe, ainda sem nenhuma recarga hídrica registrada. Nela está situado apenas o açude Santo Antônio de Russas, com capacidade para 24 milhões de m³, seco desde novembro de 2015. No total a Cogerh monitora 153 açudes.

As precipitações tiveram uma redução neste começo de semana. Das 7h de segunda-feira às 7h de ontem choveu em 58 municípios, sendo o maior registro em Capistrano (34mm). A previsão para hoje e amanhã é de nebulosidade variável com chuvas isoladas em todas as regiões.

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