JPMotos
Poluição ambiental: Instalado supostamente em local indevido, novo Lixão de Iguatu é alvo de denúncias
9 de fevereiro de 2017 às 12:13

20170209064028_6722_capa

Fumaça e mal cheiro. Esse foi o retrato durante muitos anos de uma das entradas da cidade de Iguatu, maior da região Centro-Sul do Estado. Por mais de uma década, a população do bairro Chapadinha questionou os órgãos públicos acerca da instalação do lixão da cidade próximo a área residencial. Conforme a lei, a distância mínima para a cidade é de 2.000 metros. Desta forma, devido a proximidade do lixão, o bairro passou a ser o maior atingido pelas constantes queimadas dos dejetos dispensados pelos catadores de lixo.

Alívio e preocupação

No entanto, em 25 de janeiro deste ano, o gestor municipal Ednaldo Lavor (PDT), anunciou durante as comemorações do aniversário de 185 anos da cidade a desativação imediata do lixão. Naquela mesma data o local foi desativado. O lixão foi transferido para o Sítio Mirasul, zona oeste da cidade.

Comemorado pelos moradores da Chapadinha, bairro com cerca de mil habitantes, conforme censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o novo local virou alvo de críticas e questionamentos por outros tantos moradores da cidade. A principal queixa, segundo os denunciantes, é que área em que o lixão foi instalado está dentro de açude de pequeno porte.

O vereador Lindovan Oliveira (PSD) apresentou, durante a sessão plenária desta quinta-feira do último dia 02 de fevereiro, requerimento verbal à Mesa Diretora da Casa, solicitando a realização de audiência pública para discutir o novo lixão de Iguatu. Para o parlamentar, a transferência para outra área da cidade vai “apenas transferir um problema, poluindo, inclusive o rio Trussu”.

“Estou falando de uma área ainda limpa, que não foi agredida pelo homem, e da forma como esse lixão está hoje, vai contaminar o Rio Trussu, prejudicando diversas comunidades que fazem o uso daquela água para seu consumo”, relatou durante a sessão. Lindovan disse ainda que já entrou com representação no Ministério Público Estadual (MPE), no Ibama e Semace, para que os órgãos fiscalizem o local onde foi instalado o novo lixão.

“Peço os órgãos façam uma verificação in loco para constatarem o que estou falando. Vamos contaminar outra região por qual motivo?”, questionou o vereador. A reportagem tentou contato, por telefone, com o Secretário de Meio Ambiente de Iguatu, Fábio Lima Bandeira, que também é chefe do escritório do IBAMA da cidade, porém, as ligações caíram na caixa de mensagem.

Distantes

Em 2010, foi criada uma lei (12.305/2010) para reestruturação e criação de aterros sanitários a médio e longo prazo. Entretanto, a menos de um ano para o fim do prazo estabelecido pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), a qual exigia como meta a total eliminação de lixões a céu aberto até 2018 para cidades médias e grandes e até 2020 para cidades pequenas, muitos municípios ainda estão distantes de se adequarem.

Um estudo da Associação Brasileira de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que 40% de todo o lixo produzido no Brasil tem destinação inadequada. Já foi bem pior. Em 1989, mais de 88% das unidades de destinação de resíduos sólidos eram lixões a céu aberto e somente 1% eram aterros sanitários.

Por Agência Miséria
Com Parceria Site Miséria.com.br

124 total views, 1 views today

ComentáriosComentários