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Balanço do Ano: Ações de combate a facções criminosas no Ceará levam à prisão de 35 integrantes em 2017
10 de abril de 2017 às 09:53

Pelo menos 35  membros de quatro facções criminosas foram presos no Ceará, apenas em 2017. Os dados foram compilados com base em informações repassadas pela Polícia Civil, depoimentos dos próprios presos ou nas investigações que culminaram nas prisões.

Em abril de 2016, uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que terá a identidade preservada, afirmou que cerca de 1.200 pessoas que estão no Sistema Penitenciário do Ceará são integrantes de facções criminosas. Os dados apresentados têm como base levantamentos feitos pelas células de Inteligência da Instituição. O número representava  cerca de 5% da população carcerária do Estado no momento da divulgação.

Em um período sinalizado pelo aumento de relatos sobre ordens de detentos cearenses para o cometimento de crimes, disputas por zonas no tráfico de drogas e motins em complexos penitenciários, o governador Camilo Santana afirmou que as facções estavam sendo monitoradas. “Existem organizações criminosas dentro dos presídios cearenses, mas está sendo feito um trabalho de monitoramento pelo Estado e pela Polícia Federal”, afirmou.

A intensificação do combate a essas organizações pode ser percebida, também, na estrutura organizacional da SSPDS. No fim do ano passado, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) foi criada, sob a justificativa de centralizar as investigações sobre os casos “intensificar as ações contra grupos que buscam a articulação de crimes no Estado”.

Líder

O PCC é grupo com mais integrantes presos no Ceará neste ano, com 14 membros detidos. Contudo, o número simboliza apenas 1% de todos os filiados da organização no Ceará. De acordo com informações apuradas pelo Diário do Nordeste, em matéria publicada no dia 25 de fevereiro, membros da Delegacia Especializada apontaram que a facção possui cerca de 1.400 filiados no Estado.

No início deste ano, o advogado criminalista Alexandre Sales afirmou que integrantes do PCC estariam sendo separados de integrantes de outras organizações em penitenciárias. “Eles estão sim sendo divididos pelas facções. O Comando Vermelho (CV), Família do Norte (FDN) e Guardiões do Estado (GDE) estão juntos, mas o Primeiro Comando da Capital (PCC) não”.

Casos

Dentre os casos de maior repercussão deste ano, está a prisão, no dia 20 de janeiro, de Robenilton Sousa Fontana, 28, condenado por tráfico de drogas em São Paulo e que seria integrante da facção criminosa PCC. O homem seria um dos participantes da quadrilha armada que tentou resgatar líderes do PCC custodiados na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, no dia 19 de janeiro. Na situação, cerca de dez bandidos armados de fuzil e metralhadora atiraram contra o policiamento externo da unidade prisional situada no Complexo Penitenciário de Itaitinga II.

O objetivo era metralhar os policiais militares e agentes que faziam a segurança, enquanto membros do PCC escapavam. No entanto, o resgate foi frustrado. Um preso morreu, um PM foi ferido, mas nenhum detento escapou.

Noé de Paula Moreira, de 36 anos, foi preso no dia 10 de fevereiro em um carro blindado, no Henrique Jorge. Assaltante interestadual com ações em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, é membro do PCC, já figurou na lista dos mais procurados do Estado e era foragido da Justiça desde junho de 2016, quando fugiu da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), no Complexo Penitenciário Itaitinga II. Na situação em que foi preso, o suspeito usou o próprio filho como “escudo humano” durante a operação policial. Noé responde por crimes como homicídio, tráfico de armas, estelionato e roubo.

No dia 23 de fevereiro, foram presos quatro suspeitos de envolvimento na briga entre membros do CV e o PCC na Granja Lisboa, que resultou na morte de cinco pessoas no bairro. A equipe de investigação informou que o confronto era uma briga entre rivais que disputavam território para a prática do tráfico de drogas, além de uma revanche por parte dos integrantes do PCC contra o CV, por conta de um homicídio.

Jeová Souza Reis, 39, considerado um dos “homens fortes” do PCC no Estado, foi preso no Pirambu, no dia 22 de fevereiro. Na ocasião, Jeová estava em posse de 10Kg de maconha, que seriam comercializados na região. O homem era suspeito de ser o responsável por fazer a ponte entre o núcleo central da facção, localizado em São Paulo, com os integrantes cearenses.

Uma fonte da SSPDS, que não quis se identificar disse que a união é um movimento comum dos criminosos. “Eles se agrupam para se fortalecerem. O poder do crime organizado é muito maior que se cada um fosse atuar por conta própria. O combate a esse tipo de crime também precisa ser diferenciado e muito mais eficiente. No Ceará, as alianças entre criminosos se deu de forma rápida e afetou muito a Segurança Pública”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da SSPDS, mas não obteve resposta, até a publicação desta reportagem, sobre os questionamentos acerca do número de criminosos ligados à facções detidos no Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste

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