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Caso Débora Lohany: Mãe conta que já tinha visto suspeito preso
16 de abril de 2017 às 08:23

A mãe da menina Débora Lohany de Oliveira, Daniele dos Santos, contou, em entrevista ao Diário do Nordeste, na tarde de ontem, que já tinha visto o homem que foi preso por suspeita de matar a sua filha e que ele trabalhava como ‘flanelinha’, na Avenida Raul Barbosa, a alguns metros de distância de onde a criança morava e foi raptada.

De acordo com Daniele, moradores da região viram o suspeito que está preso na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, atacar outra menina no mesmo dia em que Débora desapareceu, 27 de março. Em reação à atitude do homem, populares teriam o perseguido e o agredido. “Eu já vi esse homem por aqui. Ele é o que tentou beijar a ‘meninazinha’. Foi no mesmo dia em que ele levou a Débora, só que foi mais cedo. Mas eu não sabia dessa história, só soube depois que ele levou a Débora”, afirmou.

Ela negou a possibilidade de o suspeito ter matado Débora por vingança a algum familiar da menina, que também trabalharia como ‘flanelinha’ e com quem ele estaria disputando território.

“Ele disse que a gente vende flanela. Não, isso é mentira. Eu nunca vendi flanela na minha vida, nem ninguém da minha família. A vingança é que ele queria beijar a menina (a outra) e não conseguiu. E se vingou na minha filha, que não tinha nada a ver”. Para Daniele, a Polícia chegou, dessa vez, ao assassino da sua filha, que tinha apenas quatro anos de idade. Entretanto, a prisão do homem não diminuiu o sofrimento. “A minha tristeza não diminui, é a mesma”, revelou cabisbaixa.

Crime anterior

A reportagem apurou com uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) que o suspeito preso na última quinta-feira (13), no município de Parnaíba, no Piauí, tem o nome de Walderir Batista dos Santos. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não divulgou a identidade do homem. Walderir está respondendo a outro crime, na Justiça do Pará, onde é acusado de roubar um smartphone dentro de um transporte coletivo que trafegava na BR-316, no município de Ananindeua, no dia 13 de dezembro de 2015.

Na época, Walterir Batista foi preso e levado à Delegacia, de onde fugiu no mesmo dia, de acordo com o Diário Oficial do Estado do Pará publicado no dia 26 de janeiro de 2016. Após a acusação do Ministério Público pelo crime de roubo, a Justiça expediu mandado de prisão contra Walderir, em 27 de janeiro do ano passado. Dois dias depois, o acusado foi capturado em Campo Maior, no Piauí, mesmo Estado onde foi preso pela morte da menina Débora.

Entretanto, ele passou pouco mais de um mês preso. No dia 2 de março de 2016, a 5ª Vara Criminal de Ananindeua decidiu colocar o acusado em liberdade. O processo já tramita há um ano e três meses, na Justiça, e irá se prorrogar por mais dez meses, no mínimo. A próxima audiência do caso já está marcada para 6 de fevereiro de 2018.

Agora, além do processo por roubo no Pará, Walterir vai responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, em Fortaleza. Conforme uma fonte da SSPDS, o homem teria sido autuado em flagrante na noite de quinta-feira (13) pela morte da menina Débora Lohany. Amostra de DNA dele será colhida para comparação com material coletado nos objetos apreendidos no local onde o corpo de Débora foi encontrado.

Dor

A ausência e a saudade da menina ‘pouquinha’ (como a própria mãe define Débora, devido à magreza), que vivia a se divertir entre a sua casa e a rua estreita em frente, no Lagamar, têm mudado a rotina de Daniele dos Santos. “Depois que a Débora morreu, peguei uma blusa para bordar para ver se me distraio, para não ficar pensando direto nela”.

Débora não estava na escola ainda, mas era inscrita em um projeto social de assistência infantil que existe no bairro, para dar os primeiros passos na vida, que foi interrompida entre os dias 27 e 29 de março. “A Débora era doce, quieta. Ela passava o dia aqui (em casa). Quando era cinco horas (da tarde), nós tomávamos banho, eu, ela e meu marido, e nos sentávamos na calçada. Todo dia, era essa rotina”, resumiu Daniele.

Devido às lembranças constantes, ela preferiu doar a maior parte dos pertences da filha a outras crianças. “Dela, eu só fiquei com uma lancheira, um macacão… Que ela era pouquinha e parecia um ´saco´. Eu achava engraçado e guardei. E fiquei com o ultrassom, emplastifiquei, e o registro (de nascimento)”, mostrou a mãe carinhosamente.

Fonte: Diário do Nordeste

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