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Clínica investigada pela morte de pacientes após uso de substância irregular recebeu mais de R$ 1,3 mi neste ano, diz MPCE
28 de junho de 2017 às 06:57
Valores foram repassados pelo poder público para atendimento aos pacientes. Homem preso fabricava substância clandestinamente.
A clínica de nefrologia investigada pelo Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE) por uso de substância fabricada clandestinamente recebeu neste ano mais de R$ 1,3 milhão de repasses do poder público para atendimento aos pacientes. Na segunda-feira (26), a Polícia Civil prendeu em flagrante o responsável pela unidade de saúde, que funciona há mais de 10 anos no município de Iguatu. O MPCE investiga a morte de sete pessoas após uso do medicamento.
De acordo com o promotor de Justiça Flávio Corte Pinheiro, o administrador da clínica alegou em depoimento para a polícia que fabricava a substância clandestinamente por dificuldades financeiras. Porém, o MPCE acredita que o suspeito tenha mentido, já que a unidade de saúde dava lucro e que deveria possuir reserva financeira para dar assistência médica de forma legal.
“Não se justifica, já que a clínica dava lucro considerável e poderia ter feito estoque e também contato com o fornecedor. Ontem mesmo, no dia da operação, ele faturou R$ 359 mil, valor referente ao pagamento dos serviços prestados em maio. Acho que todos foram vítimas: o município, o estado, o SUS e, principalmente, os pacientes e familiares”, comentou o promotor.
Durante a operação, a Vigilância Sanitária, o Ministério Público e a Polícia Civil flagraram diversas irregularidades, dentre as quais o uso nos pacientes de Concentrado Polieletrolítico para Hemodiálise (CPHD) produzido de maneira clandestina pela administração da clínica. A substância era produzida clandestinamente em um imóvel anexo ao prédio da unidade.
Além disso, um outro equipamento para hemodiálise, denominado “capilar”, que deve ser descartado após 20 usos, no caso de pacientes que não são positivos para hepatite, era reutilizado mais do que o permitido. Materiais de uso hospitalar eram estocados de maneira inadequada na clínica, em sala às quais apenas o administrador tinha acesso.
A manipulação do medicamento era feita por uma pessoa sem formação nas áreas de química ou farmácia e os recipientes utilizados não passavam por esterilização.
O promotor Fávio Corte acrescentou que a produção do produto foi interrompida e que os pacientes voltaram a receber a medicação correta. Cerca de 152 pacientes de 18 municípios fazem tratamento regularmente três vezes por semana na unidade.

“A clínica segue funcionando, não há intenção de fechar a unidade que atende pacientes de muitos municípios. Agora, a solução dada aos pacientes é legítima, porque vem lacrada e, inclusive, trocaram os capilares que eram usados sem nenhum controle. Foi importante a operação porque conseguimos suspender a produção (ilegal) e fazer com que eles recebem o medicamente correto e de procedência regular”.

A clínica de nefrologia já possui mais de dez anos de existência em Iguatu. De acordo com o Ministério Público, o médico responsável pelo estabelecimento encontra-se debilitado, realizando tratamento contra câncer em Fortaleza, tendo deixado o filho responsável pela administração da clínica. Devido ao estado de saúde e à idade, o MPCE deverá pedir a prisão domiciliar do médico.
Eles devem responder pelo artigo 273 do Código Penal, que pune quem falsifica, corrompe, adultera ou altera produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais com dez a quinze anos de reclusão e multa.
G1

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