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Com 2017 sendo um ano “perdido”, Segurança Pública do Ceará mira para 2018 e o BPRaio é a “luz no fim do túnel”
30 de novembro de 2017 às 05:29

RAIO CRATEUS

Uma luz no fim do túnel. A ampliação do Batalhão de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) em algumas comunidades de Fortaleza ainda está longe de reduzir por completo a violência que amedronta o Ceará inteiro. Mas, devagarzinho já há algum resultado. Como, por exemplo, na Vila Velha, comunidade situada na zona Oeste da cidade e onde uma antiga, mas persistente, briga entre duas facções criminosas deixou, nos últimos 10 anos, um rastro de morte e tristeza.

Há cerca de um mês, o Batalhão Raio chegou pra valer no bairro. As gangues rivais Gafanhotos e V3 recuaram, ou, ao menos, se esconderam, já que o território passou a ser ocupado por quatro equipes do BPRaio diariamente. As abordagens constantes dos “raianos” intimidam e são eficientes para o recolhimento de armas de fogo e drogas.  Desde o incremento do policiamento com motocicletas na área, os homicídios caíram sensivelmente. Eram comuns os confrontos entre as duas gangues do bairro nas ruas e becos, especialmente na Rua dos Prados, que fica  próxima ao mangue do Rio Ceará, no entorno da sua foz.

Para a Segurança Pública do Ceará, com certeza, o ano de 2017 pode ser dado como “perdido”, já que os índices registrados até o momento já foram suficientes para superar o até então ano com maior quantitativo de assassinatos, o de 2014, quando 4.439 pessoas foram mortas no estado. Neste  2017, já são mais de 4.600 homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais que resultam em óbito, os Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs), um recorde histórico da violência desde que o Ceará existe.

DESASTRE NA SEGURANÇA 1

Um levantamento feito por um veículo de comunicação local mostrou, ano a ano, como a violência armada cresceu de forma avassaladora no Ceará, e, especialmente, nos oito anos em que o governo do estado era dirigido por Cid Ferreira Gomes. Durante seus oito anos à frente do Palácio da Abolição, Cid se tornou o governador com maiores índices de assassinatos na história cearense. Do dia 1º de janeiro de 2017 (data da posse de Cid) até o dia 31 de dezembro de 2014 (sua despedida do cargo), nada menos, que 24.289 pessoas foram mortas no Ceará. Uma média de 3.036 assassinatos a cada ano de seu governo. Esses números são oficiais, do próprio governo, através da SSPDS.  Coincidentemente ou não, essa onda  da violência começou a crescer mesmo com a implantação do programa de policiamento comunitário “Ronda do Quarteirão”, que acabou por dividir a Polícia Militar e gerar descontentamento geral na tropa veterana.

DESASTRE NA SEGURANÇA 2

Os números do governo Cid Gomes no quesito homicídios foram terríveis e a prova está na estatística oficial. Vamos então, mostrar esses índices ano a ano nos oito da gestão do pedetista. 2007 (1.936), 2008 (2.031), 2009 (2.168), 2010 (2.692), 2011 (2.788), 2012 (3.840), 2013 (4.395)  e 2014 (4.439).  Como se pode observar, em nenhum momento dos oito anos de governo houve queda. Ao contrário, somente elevação. Essa “herança maldita” foi recebida pelo petista Camilo Santana no dia 1º de janeiro de 2015. E no seu primeiro ano de governo ele conseguiu uma redução representativa, fechando 2015 com 4.019 CVLIs (420 assassinatos a menos). No ano passado, esse número caiu ainda mais, para 3.407. No entanto, por ignorar a chegada das facções, e com o rompimento de um pacto destas, o governo sofreu uma contundente derrota em 2017 e vai terminar o ano com o recorde histórico dos homicídios em sua conta. Serão mais de 5 mil, de acordo com as projeções. Resta a Camilo agora “correr atrás” para se recuperar no ano eleitoral de 2018, pois a oposição será impiedosa no quesito Segurança Pública.

O PAÍS DA IMPUNIDADE

Jornal O Estado de São Paulo publicou nesta terça-feira (28) reportagem especial em que denuncia que, dos 24 estados brasileiros, apenas seis apresentam o total de homicídios esclarecidos. E o Ceará não está entre eles. A média nacional de resolução de assassinatos, com a identificação dos criminosos, indiciamento e responsabilização penal (julgados e condenados), é de apenas 8%. No Ceará as próprias autoridades não sabem informar qual este percentual. Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo, Rondônia, São Paulo e Mato Grosso do Sul conseguem acompanhar a apuração do crime até o seu desfecho, com o processamento penal do acusado. No Espírito Santo, por exemplo, dos 1.348 homicídios registrados no ano de 2015 (no Ceará foram 4.019) somente 271 deles (20,1 por cento) tiveram seus autores identificados ao final da investigação (inquérito), o que permitiu ao Ministério Público oferecer a denúncia contra o autor à Justiça.  Nos outros cinco estados os índices foram os seguintes: Pará (4%), Rio de Janeiro (11%0, Rondônia (24%), Mato Grosso do Sul (55%) e São Paulo (38%). Esses dados foram coletados pelo Instituto Sou da Paz.

MENTIRA OU VERDADE???

Trafegar com vidros baixos, luz interna do carro acesa e motoqueiros sem o capacete. Essas “regras” já foram assimiladas pela população de Fortaleza ao transitar pelos bairros e comunidades dominadas pelas facções criminosas GDE, PCC, FDN e CV. No entanto, de umas semanas para cá outras “ordens” do crime começaram a ser divulgadas ou denunciadas nas redes sociais e em alguns programas policiais na TV local.  Nesses locais, as mulheres estão proibidas de usar cabelos pintados de vermelho. Carros de cor vermelha são suspeitos e até mesmo usar roupas neste tom pode ser motivo de temor. Verdade isso? Se for, é algo preocupante. As facções agora ditam regras de comportamento da população??? Como se já não bastassem os “tribunais do crime”, que julgam, condenam e executam a pena contra quem for considerado inimigo.  Onde iremos parar???

DROGA CORRE SOLTA NO CENTRO

Quando a noite cai e a madrugada avança, o Centro de Fortaleza se torna uma verdadeira cracolândia à céu aberto. Além da Favela do Oitão Preto, no bairro Moura Brasil, na área Central, imóveis localizados nas ruas Liberato Barroso, Princesa Isabel, Teresa Cristina e Senador Alencar  registram um entra-e-sai  intenso de usuários de drogas comprando pedras de crack.  O tráfico é intenso e se espalha pelas ruas. Na Rua Liberato Barroso, no trecho compreendido entre as ruas Princesa Isabel e Padre Mororó, a venda de entorpecentes ocorre abertamente nas esquinas, sem que haja qualquer ação repressiva das polícias Civil e Militar. A droga corre solta, fomentando outros delitos. Para obter dinheiro e poder comprar as “pedras”, os usuários praticam roubos e furtos na área central de Fortaleza. Nem mesmo a “Operação Centro Seguro” consegue reduzir a velocidade do tráfico ao menos neste período de festejos natalinos. O reforço do policiamento só vai até, no máximo, 20 horas. Ruas desertas, a partir daí, viram território livre do tráfico.

E TEM MAIS!!!

* Bandidos numa moto vermelha estão aprontando nas ruas do bairro Dionísio Torres, praticando assaltos à luz do dia. Costumam trafegar na contramão por ruas como Oswaldo Cruz e Coronel Alves Teixeira. Hora de a Polícia Militar dar um basta nos pilantras. Os dois estão armados.

* Não pegou bem na instituição a atitude do governo em criar uma força-tarefa dentro da Polícia Civil para investigar homicídios. Para muitos, isso é o esvaziamento da DHPP, já que este é o órgão específico para tal missão. O correto seria aumentar suas equipes e ofertar melhores condições de trabalho.

* Dezenas de delegados da Polícia Civil já estão com a documentação pronta para entrarem com o pedido de aposentadoria tão logo chegue o Ano-Novo e a classe seja elevada à categoria de carreira jurídica. Serão mais dezenas de cargos vagos na instituição, e mais dificuldades para a Polícia Judiciária do Ceará elucidar a avalanche de crimes.

* Delegados Jaime Paula Pessoa Linhares e Andrade Júnior, da Delegacia de Defraudações e Falsificações, comandam diversas ações contra golpes praticados por estelionatários nesta época do ano. As fraudes aumentam, principalmente no comércio formal e no virtual. Cuidado consumidor!!!

* Donos de veículos 4×4 e que são praticantes de trilhas nas dunas da Praia do Batoque, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, estão sendo assaltados. Bandidos em motocicletas apontam armas para os condutores, obriga-os a parar, tomam as chaves dos carros e fazem uma “limpa”.

* Apelo dos moradores do Centro de Fortaleza. Polícia precisa intervir para acabar com o intenso tráfico de drogas nas ruas Liberato Barroso, Teresa Cristina, São Paulo e Princesa Isabel, próximo ao Beco da Poeira. Autoridades fazem “ouvido de mercador” e se tornam cúmplices do tráfico.

E A PERGUNTA DO DIA: Se bandidos assaltam de uma só vez três delegados de Polícia, armados e treinados, o que será de nós, cidadãos, desarmados, desprotegidos e alvo fácil dos bandidos???

Com Informação Fernando Ribeiro

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