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Granada do Exército peruano é apreendida na Aerolândia
18 de julho de 2018 às 06:24
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Fortaleza, 20 de setembro de 2017. Cidade 2000. grupo da fac
– POLICIA – 18pl1010 – REINALDO JORGE

Um artefato de alto poder destrutivo, cujo uso não é autorizado nem pelas polícias brasileiras, foi encontrado por patrulhas do Policiamento Geral Ostensivo (POG) das Aéreas Integradas de Segurança (AISs) 7 e 10, no bairro Aerolândia, dominado pela facção local Guardiões do Estado (GDE). De acordo com uma fonte do BPChoque, que participou da operação, a granada apreendida pela PM pertence ao Exército peruano, denominado Fuerzas Armadas del Peru.

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), do BPChoque, foi acionado para desarmar a granada encontrada dentro de uma casa, localizada na Travessa Milano. Conforme um oficial da PM, patrulhas do POG receberam informações que o carro utilizado em uma tentativa de roubo, que terminou com um sargento baleado, há dois dias, estava abandonado nas proximidades do viaduto da Base Aérea.

No local, os militares apuraram que os homens deixaram a caminhonete no local e fugiram para a Travessa Milano. A PM foi até o endereço indicado, mas antes de chegar à residência, três homens saíram correndo do imóvel e conseguiram escapar. Em uma vistoria na casa, foram encontradas a granada, uma escopeta, munições e uma balaclava.

“Não se sabe ainda se as pessoas que fugiram eram as mesmas que tentaram assaltar, e acabaram baleando o sargento. Para estar em posse de uma granada, acreditamos que seja um representante expressivo da facção, na região”, disse o oficial da PM à reportagem.

Uma fonte de um setor de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que a área é dominada pela facção local Guardiões do Estado (GDE). Segundo o investigador, um irmão de João Bosco da Rocha, conhecido como ‘João Presinha’, apontado pela Polícia como um dos principais traficantes da Capital, seja o ‘chefe’ daquela área.

“Toda aquela área é dominada pela GDE. O ‘Lagamar’ e a ‘Cidade de Deus’ são do ‘João Presinha’ e a área em que a granada foi localizada é do ‘Chico Chatinho’, irmão dele”, revelou.

Hierarquia

Com a prisão das maiores lideranças da GDE, o futuro da organização criminosa ainda é incerto. O suposto fundador da facção, Auricélio de Sousa Freitas, o ‘Celim’, detido quarta-feira (11), expôs a hierarquia, da qual faz parte. Um relatório do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) aponta a GDE como “um grupo minuciosamente organizado”.

No último dia 11 de julho, o relatório apontou que a estrutura do grupo é dividida em cinco grupos: conselho geral, conselheiros locais, gerentes de boca, aviões do tráfico e teleguiados. Dentre os grupos, chama mais atenção os ‘teleguiados’ uma espécie de ‘camicases’, determinados a matar ou morrer pela facção. Eles compõem a base da estrutura hierárquica da facção, porém, cabe a eles a parte mais difícil: arriscar a vida.

A função foi definida pela Polícia no documento que dá conta da prisão de Auricélio Freitas como sendo a dos integrantes das “missões mais perigosas”, os que estão dispostos a “matar ou morrer pelos seus chefes”. A maior parte do grupo é formada por meninos, jovens, de periferia, que foram arregimentados para compor a facção local.

Também conforme o flagrante, o homem é um dos conselheiros locais da GDE, responsável pelo comando do tráfico de drogas na região do Barroso II, e adjacências, onde teria sido nascido e criado.

Acima dos teleguiados estão os ‘aviões do tráfico’, que pegam pequenas quantidades de drogas e revendem em troca de comissões por este serviço. No meio do ‘organograma’ vêm os gerentes de boca. Esses integrantes gerenciam recursos, recebem e revendem narcóticos.

Mais acima está o grupo de conselheiros locais, compostos pelos líderes do tráfico em territórios da Capital. O relatório evidencia que essa liderança chega a ir além de uma comunidade, podendo abranger um aglomerado de bairros vizinhos.

Cúpula

Por fim, segundo o documento, está o conselho geral: “composto pelos membros mais importantes do grupo, responsáveis pela demanda de grandes quantidades de drogas, resolução de conflitos, ordens e permissões para cometimento de crimes de maior repercussão”. O documento não revela quantas pessoas, nem quem são, os integrantes da cúpula da organização.

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