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Justiça avalia se ´Alemão´ pode ir para semiaberto
31 de março de 2017 às 14:50

O pedido de progressão de regime e trabalho externo feito pela advogada de Antônio Jussivan Alves dos Santos, o ´Alemão´, está em fase final de análise. O homem conhecido como mentor do furto ao Banco Central de Fortaleza (o maior cometido no Brasil), informou ao Poder Judiciário, que caso consiga a progressão, trabalhará como cozinheiro em uma confeitaria, no bairro Rodolfo Teófilo.

No pedido feito à Justiça, a advogada de Jussivan dos Santos, Erbênia Rodrigues, diz que o cliente tem mais de uma condenação e processos em trâmite, mas mesmo somadas todas as suas sentenças (44 anos, dez meses e 10 dias), os nove anos em que esteve preso, já representam mais de um sexto do tempo estipulado como punição.

O pedido está sendo analisado pelo juiz da 1ª Vara de Execuções Penais, Luís Bessa Neto, que determinou, no último dia 17 de março, que um oficial de Justiça fosse até a empresa em que Jussivan pretende trabalhar averiguar diversos pontos, como a existência do endereço mencionado, a veracidade da proposta de emprego e a potencialidade empregatícia do local.

Uma oficiala esteve, no último dia 28, na confeitaria e confirmou que a vaga oferecida a ´Alemão´ existe e foi pedida pela família dele. A empresa já funciona há onze anos, tem 13 funcionários e estava em pleno funcionamento no momento da diligência. O documento foi encaminhado ao Ministério Público do Ceará (MPCE).

A Instituição informou que “o promotor de Justiça titular da 1ª Promotoria de Execução Penal ainda será instado a se manifestar oficialmente e o fará dentro do prazo legal”. Depois disso, a progressão de regime do criminoso dependerá apenas da decisão do juiz Bessa Neto, que pode ser proferida nos próximos dias.

Reincidente

A ficha criminal de ´Alemão´ é marcada pelo furto ao BC, no entanto ele se envolveu em diversas outras ações, como um roubo no escritório de um advogado, no ano 2000; uma tentativa de roubo a um carro-forte, em 2004; e a liderança de um motim com reféns, no Presídio Newton Gonçalves, em Vitória da Conquista, na Bahia, onde esteve preso, em 1997. Respondeu processos em São Paulo e a outros vários aqui no Ceará.

Em 1998 ´Alemão´ também requereu uma progressão de regime e foi beneficiado. Ele estava preso há três anos, por um roubo cometido no ano de 1995. No semiaberto, fugiu da Colônia Agrícola de Amanari.

“O ´Alemão´ é esperto, sagaz. Um criminoso diferente. Se for preciso pode até ser violento, mas esse não é o seu forte. Ele é bom mesmo em estratégia, em planejamento, tanto que confiaram a ele ser o ´gerente´ de um furto enorme. Se for posto no semiaberto acredito que faça como da outra vez e escape. O Jussivan não nasceu para ser cozinheiro e ele já mostrou isso para o mundo inteiro quando esburacou o Centro de uma Capital e o caixa-forte de um banco sem ser notado”, afirmou um servidor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que preferiu não se identificar.

Ele lembra que o estigma criado pelo criminoso pode influenciar movimentos para a prática reiterada de roubos a bancos, que é a ´especialidade´ de Jussivan. “Ele é tido como o melhor. Não há dúvidas que pode convencer e mobilizar outros criminosos a agirem. Ele virou uma espécie de ´mito´ no mundo da criminalidade”, considerou.

Prisão

Antônio Jussivan foi preso no ano de 2008, em Brasília, por conta do roubo ao BC. Desde lá foi transferido, em 2011, para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Retornou e em março de 2012 foi novamente transferido, desta vez para o Presídio Federal de Porto Velho. Voltou em janeiro de 2013 e em julho de 2014 foi para São Paulo participar de um julgamento e retornou em março de 2016. Desde então permanece nas unidades cearenses. Esteve em quatro penitenciárias da Região Metropolitana e nunca cometeu faltas disciplinares, conforme a Secretaria de Justiça (Sejus).

´Alemão´ confessou, em juízo, ter participado das escavações do túnel e ter entrado no caixa-forte do BC com outros três comparsas, em 6 de agosto de 2005. Subtraíram R$ 164,7 milhões da Instituição e parte do dinheiro nunca foi recuperada. Três toneladas e meia de dinheiro foram levadas e outra parte foi deixada no cofre, por exaustão dos criminosos. Depois disso, “cada um fugiu como bem quis”, como revelou Jussivan, em depoimento. Ele nega ter sido o chefe da quadrilha e que fosse do Primeiro Comando da Capital (PCC).

´Alemão´ contou também que teve direito à R$ 5 milhões, que estavam divididos em dez sacos contendo R$ 500 mil. Durante a fuga que durou três anos diz ter sido abordado diversas vezes pela Polícia, mas era liberado após apresentar uma de suas quatro identidades falsas, em nome de Roberto Zanon, Paulo Roberto Araújo dos Santos, Francisco Everaldo Paulino Pereira e Antônio Joaquim de Oliveira Paiva.

A reportagem entrou em contato com o juiz Bessa Neto, mas ele disse que estava com uma extensa pauta de audiências e não poderia atender. A advogada Erbênia Rodrigues foi procurada, mas não retornou.

Fonte: Diário do Nordeste

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