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Lideranças do PCC se reuniam uma vez ao ano no Ceará
25 de junho de 2016 às 09:02

20160625062042_7127_capaA população do Parque Tijuca, em Maracanaú, ouviu apreensiva a troca de tiros que durou dez minutos, na noite de quinta-feira (23). De um lado mais de 50 assaltantes de banco, traficantes, sequestradores e homicidas integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) reunidos para planejar crimes; do outro 40 policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e da Divisão Antissequestro (DAS), que buscavam a organização suspeita de diversos crimes no Ceará, inclusive atentados a prédios públicos. Ontem, tumultos em represália às prisões foram registrados em penitenciárias da Região Metropolitana.

Durante a operação policial 32 pessoas acabaram presas. Os suspeitos estavam em um sítio alugado para o evento que acontece uma vez por ano e define os crimes que serão cometidos. Nas paredes da casa onde foram encontrados havia inscrições citando o PCC. Segundo a Polícia, muitos dos homens que estavam no local atacaram agências bancárias no Ceará.

Segundo uma fonte da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a facção integrada pelos suspeitos age em todo Brasil e financiou várias das explosões e assaltos aos bancos daqui. Embora ainda não seja possível afirmar que algum dos presos tenha participado diretamente dos atentados aos prédios públicos, como o da Assembleia Legislativa, as suspeitas recaem sobre o PCC e as investigações estão sendo aprofundadas.

“Os presídios ficaram tumultuados com as prisões, porque as lideranças ´caíram´. Sabemos que a ordem dos atentados partiu de lá. O principal suspeito de articular o ataque à Assembleia Legislativa é o líder do PCC no Ceará. Essas pessoas presas em Maracanaú são comandadas por ele. É preciso investigar cada um, para saber se acataram alguma ordem nestes ataques”.

O líder a quem a fonte se refere é Paulo Diego da Silva Araújo, transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Porto Velho, em Rondônia, no último dia 16 de abril.

Segundo o investigador, a facção cearense, denominada ´Guardiões do Estado´ se mostrou muito violenta e também teve seus líderes transferidos. “Todos os líderes de facções criminosas ou braços-direitos deles foram transferidos. Inclusive o ´Barrinha´ (Francisco de Assis Fernandes da Silva), que era um dos ´cabeças´ dos Guardiões”.

Intimidação

O delegado Raphael Vilarinho, titular da DRF, disse que os criminosos divulgam nomes de facções para intimidar a sociedade, mas isto não afeta a Polícia. Ele desmente que as organizações tenham tomado o controle de qualquer parte do Estado. “Não existe território dominado pelo crime no Ceará. Todo o Estado é a Polícia que domina. Não tem um rua, sequer, que a Polícia não entre e não prenda quem comete crimes. Estas denominações de PCC, Comando Vermelho e diversas outras siglas são criadas para intimidar, mas isso é balela e não interessa à Polícia. Asseguro que quem integrar, de qualquer forma, essas organizações será identificado e preso”.

O delegado afirmou que havia mais de 50 homens no sítio onde ocorreram as prisões. Alguns dos que fugiram já foram identificados. No local foram apreendidas uma submetralhadora, uma pistola da Polícia Civil do Piauí, munições calibres 9 milímetros e 5.56 e 600 gramas de cocaína. “Depois da reunião eles fariam uma festa comemorando os planos e a união da facção. Uma parte da quadrilha já sairia para a cidade de Milhã e atacaria a agência bancária. Apreendemos muitos celulares que deverão ser periciados. O conteúdo será analisado e pode revelar outros planos deles”, declarou.

Os membros da organização foram autuados por associação criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, posse ilegal de arma e corrupção de menores. Dos 32 presos, 21 já tinham antecedentes criminais.

Membros da facção presos

Adriano Marden Freitas, 23 – contravenção penal e roubo

Alain Monteiro da Silva, 39 – sem antecedentes criminais

Anderson Souza Costa, 20 – Sem antecedentes criminais

Antônio Carlos M. Da Silva Júnior, 19 – sem antecedentes

Antônio jonathan de Lima Rocha, 25 – cinco homicídios, tráfico de droga, porte ilegal de arma

Bruno Duarte da Hora, 21 – Sem antecedentes criminais

Edimar Filho da Silva Holanda, 23 – sem antecedentes criminais

Erivan Lima Bertoldo, 38 – Cinco homicídios, posse ilegal de arma

Francisco Alisson L. de Sousa, 25 – três crimes de tráfico de drogas e receptação

Francisco anderson medeiros de melo, 24 – dois roubos

Francisco cândido de oliveira, 36 – dois roubos e lesão corporal

Francisco leandro alves da cruz, 37 – homicídio e lesão corporal

Gilvan silva de oliveira júnior, 28 – dois roubos

Jairo da silva rodrigues, 23- sem antecedentes criminais

James adiodato de siqueira, 18 – sem antecedentes criminais

João paulo oliveira de moraes, 31 – cinco roubos e furto

Jonathan levy gomes de sousa, 19 – sem antecedentes criminais

Jonathan santiago de araújo, 24 – sem antecedentes criminais

José david do nascimento oliveira, 23- três crimes de porte ilegal de arma e roubo

José deivan a. Oliveira, 28 – Cinco crimes de porte ilegal de arma e tráfico de drogas

Josemberg rodrigues de oliveira, 21 – sem antecedentes

Leandro de souza santos, 31 – tráfico de drogas

Lucas aderaldo pereira, 23 – roubo

Lucas braz, 29 – Tráfico de drogas

Márcio cardoso de andrade, 28 – oito roubos, homicídio, porte ilegal de arma e tráfico de drogas

Marcos aurélio de sousa, 43 – tráfico e tentativa de homicídio

Milton ricardo bezerra da silva filho, 25 – roubo

Rafael evandro santos seo, 28 – sem antecedentes criminais

San diego noronha, 29 – três roubos, porte ilegal de arma e tráfico

Thyago barros rosa, 26 – três procedimentos por tráfico

Vagner medeiros de freitas, 27 – oito receptações, tráfico e roubo

Weverton gomes de sousa, 24 – sem antecedentes criminais

Fonte: Diário do Nordeste

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