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Cenário: Como fica a política do Ceará após investigações?
13 de abril de 2017 às 06:31

Se comparado a São Paulo, Rio de Janeiro ou Bahia, o Ceará ainda tem poucos envolvidos no âmbito da Operação Lava Jato. Até o momento, o Estado tem dois investigados com foro, o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP), cujos nomes foram divulgados ontem. Há ainda dois réus, o deputado federal cearense Aníbal Gomes (PMDB) e o ex-senador pelo Estado e ex-presidente da Transpetro Sergio Machado.

É possível que o impacto da lista de Fachin na política estadual seja brando. É o que defende a cientista política da Universidade Federal do Ceará (UFC) Paula Vieira. Para ela, esse escândalo é de “peixe grande” da política nacional, como Eunício. A pesquisadora avalia que, talvez por isso, o foco tenha sido maior em outros estados, com maior visibilidade econômica.“Acho que, no âmbito estadual, considerando a inserção na politica e a influência econômica, Eunício está um pouco blindado, não vejo como ele sofrer muito reflexo disso. Precisaria de um desgaste maior”, analisa.

Para o deputado Domingos Neto (PSD), nesta fase de inquérito, as investigações não devem fazer estragos na política local. “Caso haja uma condenação, sim. Mas ainda é muito cedo para falar, tanto jurídica como politicamente”, disse.

O deputado federal Danilo Forte (PSB) afirma que, independentemente de quem seja punido ou citado, os políticos do Ceará devem aproveitar para rever a forma de fazer política. Ele evita palpites sobre os efeitos da investigação no Estado. “Acho que 2018 ainda está muito distante, sobretudo nesse quadro econômico politico e social que vivemos. Cada vez fico mais convicto de que qualquer prognóstico pode ter ser leviano. A velocidade da informação hoje é tão rápida e dinâmica que esse quadro pode mudar a qualquer momento”, argumenta.

“Educador” e “Índio”

De acordo com o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal, o senador Eunício teria recebido R$ 2 milhões. Anteriormente, o parlamentar cearense havia sido apontado como o “Índio”, codinome da planilha de pagamentos de propina da Odebrecht.

Por meio de nota, o senador cearense afirmou que vai apresentar sua defesa, conforme prevê a Constituição. “A verdade prevalecerá. A Justiça brasileira tem maturidade e firmeza para apurar e distinguir mentiras e versões alternativas da verdade”, completou.

O deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE) teria solicitado e recebido R$ 100 mil do Grupo Odebrecht por ocasião da campanha eleitoral de 2010, quando disputou vaga para a Câmara dos Deputados. O parlamentar, à época, era filiado ao PMDB. De acordo com o documento, Lustosa era identificado na empresa pelo apelido “Educador”. “Eu já esperava porque, na lista do Cláudio Melo, que eu saí como beneficiário de doação da Odebrecht, praticamente todo mundo que entrou vai estar na investigação”, disse.

O deputado alega, no entanto, que o valor que recebeu como doação não é dinheiro irregular. “O próprio Cláudio Melo diz que a doação que ele fez foi por conta da minha relação com ele. Nos conhecemos desde a época da universidade. Foi uma doação legal e não teve nenhuma irregularidade. Foi na forma da legislação. Agora é esperar ser interpelado pela justiça e apresentar minha defesa”, finalizou.

Opovo

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