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Vítimas de massacre: Papa Francisco canoniza mártires do Nordeste
17 de outubro de 2017 às 06:55

Em missa acompanhada por 35 mil fiéis no Vaticano, o papa Francisco canonizou, ontem, 30 mártires assassinados no século 17 no Rio Grande do Norte, durante o período de dominação holandesa no Nordeste.

Os mártires das cidades potiguares de Cunhaú e Uruaçu morreram de forma violenta: tiveram as línguas decepadas e os braços e pernas arrancados, além do coração. Eles haviam sido beatificados pelo papa João Paulo 2º no ano 2000.

“Não se pode dizer ´Senhor, Senhor´ sem viver e colocar em prática a vontade de Deus. Necessitamos nos revestir a cada dia com seu amor, de renovar a cada dia a escolha de Deus. Os santos canonizados hoje, sobretudo os tantos mártires, indicam esse caminho. Eles não disseram ´sim´ ao amor apenas com palavras, mas com a vida, e até o fim”, disse o papa na cerimônia.

Após a missa, o papa anunciou a convocação de um sínodo (reunião de bispos) dedicado à Amazônia, que acontecerá em outubro de 2019 em Roma.

Segundo o papa Francisco, o objetivo do sínodo é encontrar caminhos para “a evangelização daquela parte do povo de Deus, especialmente os indígenas e também por causa da crise da floresta Amazônica”.

O anúncio do pontífice surpreendeu até o cardeal d. Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e atual presidente da Comissão da Amazônia, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Francisco afirmou que está convocando o sínodo em atendimento a pedido de conferências episcopais de vários países. O sínodo de bispos é uma reunião que debate questões desafiadoras para a Igreja e apresenta sugestões ao papa. Além de eclesiásticos, leigos e especialistas podem ser convidados a participar dos debates.

Massacres

“É um momento gratificante, eterno e histórico para a nossa Igreja do Brasil, quando vemos o testemunho de tantos que deram a vida e o sangue pelo nome de Cristo. Temos que fazer com que esse exemplo seja revertido em benefício da população”, disse o arcebispo metropolitano de Natal, dom Jaime Vieira Rocha.

Das 150 pessoas mortas nos dois massacres, apenas 30 foram consideradas santos. A quantidade foi menor porque, segundo a Igreja Católica, ficou comprovada a identidade apenas do desse grupo. Das 30 pessoas, 25 eram homens e cinco, mulheres – alguns deles, bebês. A canonização, quando se trata de um mártir, deve partir de um fato historicamente comprovado de morte violenta pela fé católica, aceita voluntariamente.

Os 30 mártires foram vítimas de duas matanças no Rio Grande do Norte, na ocupação holandesa. Os crimes foram praticados por colonizadores holandeses, índios tapuias e potiguares, comandados pelo alemão Jacó Rabe. O primeiro massacre ocorreu em Cunhaú, a 79 km de Natal, em 16 de julho de 1645. Holandeses e tapuias trancaram cerca de 70 pessoas, que rezavam uma missa, na pequena capela Nossa Senhora das Candeias e as mataram. Em 3 de outubro, outro grupo, com cerca de 80 pessoas, foi levado a Uruaçu, às margens do Rio Potengi, e morto.

O presidente Michel Temer divulgou nota celebrando a criação dos 30 novos santos. “A canonização de nossos mártires, eles mesmos vítimas da intolerância, traz este importante ensinamento: sejamos todos mensageiros e construtores da paz e do entendimento”, disse ele.

Até a canonização dos 30 mártires, o Brasil tinha apenas seis santos. Somente um deles nasceu aqui, mas os seis eram considerados brasileiros pela Igreja Católica: São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues e São João de Castilho (mártires do Rio Grande do Sul); Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus; São José de Anchieta; Santo Antônio de Sant´Ana Galvão.

Fonte: Diário do Nordeste

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